Um pouco mais

Posted by António Pedro Castro | Posted on 22:01

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Por vezes passamos a vida focados em coisas triviais, 
preocupações alheias, oportunidades perdidas, coisas passageiras. 
Nos últimos meses, dias talvez anos, existe uma dormência constante no meu subconsciente.
Cresci tão rápido por ter que ser mais para aqueles que precisavam de mim que por tantas e tantas vezes me esqueci de mim. 
Não quero fugir dos meus bloqueios mentais e não resolver aquilo que me atormenta, 
pois também eu vivo com preocupações, 
todos as temos, mas é no saber enfrentar as situações que conseguimos seguir em frente.
Hoje saí para a rua, de cabeça erguida, e apreciei as pequenas coisas no caminho, 
o vento a tocar me na cara, o sol da manhã a aquecer me e envolver-me o corpo, 
tinha saudades de me sentir assim. 
Desafiado por dentro, com vontades de menino curioso que quer abraçar o mundo e que o mundo me abrace a mim, de braços abertos. 
Vamos direccionar este texto noutra direcção,  porque toda a luz tem a sua sombra,
vamos falar do elefante na sala, 
no problema dentro das quatro paredes desta quarto, 
no aperto, do sufoco, da pressão que é conviver com... ansiedade,
 sim ela mesmo, ela que tantas vezes me consome por dentro, 
me deixa descontrolado, com vontade de desaparecer no meio da fumaça, 
ela que me leva os sonhos, as vontades,
 ela que tento fechar dentro deste mesmo quatro quando saio de casa, 
ela que deixo mas que me persegue, 
que me consegue tocar quando ouço aquilo que não quero ou não entendo, 
ela que me faz pensar que não consigo fazer de outra forma, 
ela que me faz tantas vezes chorar dentro da solidão do meu próprio mundo.
 É difícil lidar e encarar o mundo quando sentes que as preocupações te esmagam, 
e ao invés de teres uma voz que te diz que está tudo bem,
 tens uma voz que te puxa o tapete e te faz cair. 
Sei que vim ao mundo com um propósito e se tudo o que tenho passado tem um motivo, 
eu consigo viver com isso dentro do meu pensamento, 
sem angustia, sem rancor, mas ao mesmo tempo cometendo o erro de me esquecer de mim.
 E onde ficam os meus sonhos se sempre tento auxiliar o próximo? 
Parece egoísta, lá está, por mais que o escreva nunca conseguiria fazê-lo, 
não faz parte de mim, 
dos maiores gozos que tenho na vida é fazer quem eu gosto feliz,
 seja por um gesto, seja por palavras. 
Faz-me sentir grande, quente por dentro, 
os meus sonhos vão se realizando a seu tempo, 
sem pressas, com desejo de encontrar alguém que queira caminhar a meu lado, 
que queira partilhar um pouco da sua felicidade comigo e criar um mundo onde tudo é mais feliz por ambos ambicionarmos um pouco mais, 
um pouco mais do mundo, 
um pouco mais um do outro, 
um pouco mais de amor. 

*E se o meu sorriso é tão feliz assim nessa tua presença cósmica, 
guarda-me para sempre na memoria dos sentidos.*

Sonhos incertos

Posted by António Pedro Castro | Posted on 22:42

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E ali estava ele, deitado na cama, imóvel, 
perdeu a noção do tempo do espaço, 
aquele quarto tornou-se num vazio, 
e ali estava ele perdido nos seus pensamentos, 
perdido na sua própria cabeça... 
Fechou os olhos e chorou, 
chororu num sofrimento mudo,
 chrorou sem ter motivo e por ter todos os motivos do mundo,
 chrorou por sonhar mais e acreditar, 
chrorou por sentir que o seu mundo desabava, 
e de repente a cama deixou de lá estar
 e caiu...
 Caiu num abismo sem fim,
 sentiu o vento, 
ouviu o silêncio do tempo,
 sentiu o sangue a pulsar-lhe pelo corpo e abriu os olhos,
 ao fazê-lo descobriu que estava deitado num vasto campo de flores de múltiplas cores 
como os campos de tulipas na Holanda, 
sentou-se atordoado com as pernas cruzadas e contemplou o infinito à sua volta,
 sentiu o cheiro das flores,
 apreciou os sons do vento e da própria natureza que o rodeava.
 Levantou-se a medo e caminhou, 
e ao fazê-lo..
 um caminho abriu-se à sua frente,
 e podia escutar à sua volta os sons de vozes familiares que o encorajavam a continuar a caminhar,
 e assim o fez, 
andou,
 correu de braços abertos sem destino
 sem objectivo certo, 
mas sabendo que não poderia parar,
 não queria parar. 
Pode parecer mentira,
 mas nós somos o sitio que nos faz falta, 
pode parecer mentira mas devemos continuar a acreditar quando parece que toda a esperança está perdida, 
porque o amanhã é outro dia,
 o amanhã pode ser o começo da tua vida.
 AMA,
SENTE,
 NÃO PERCAS TEMPO.
 Torna-te eterno

"Somos como livros"

Posted by António Pedro Castro | Posted on 22:27

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Poucas são as vezes que paramos para pensar em tudo aquilo que se passa à nossa volta,
 ou talvez esteja a fugir ao que realmente quero dizer,
 poucas vezes pensamos naquilo que realmente sentimos,
 poucas vezes o faço,
 nem sempre foi assim.. mas nos últimos tempos tenho tentado camuflar essa analise interior
 estando ocupado com mil e uma coisas,
 e não vou dizer que é mau,
 estou super motivado com esta nova etapa que ainda está por ter o seu arranque garantido,
 mas é bom sentir essa liberdade,
 é como ganhar asas e poder ser um pouco mais dono da minha vida,
 é uma sensação que sempre ansiei ter,
 e a pouco a pouco fui conquistando.
 Sinto que mudei muito desde à uns anos para trás,
 sinto me um pouco mais forte, e mais dono das minhas emoções,
 infelizmente não posso ter isso como garantido a 100%,
 mas sou humano,
 faz parte.
 Tenho medo dos momentos de quebra, 
tenho medo do escuro,
 e tenho muito medo da solidão, 
e por mais que tente disfarçar o facto de ter tão pouca gente a nível de família
 assuta-me um pouco,
 deixa-me receoso de um dia não os ter para presenciarem alguns momentos chave na minha vida... mas não vale a pena sofrer por antecipação.
 Só posso agradecer por todos os ensinamentos que tenho retido e aplicado na minha vida,
 agradecer às pessoas pelo sorriso que me deixam na cara,
 por me deixarem ter feito parte e fazer parte da sua vida, 
guardo em mim memórias que são eternas,
 momentos que não tem nenhum preço,
 é muito bom ter passado pela vida e dizer que a estamos verdadeiramente a vive-la. 
Somos como livros, 
cada dia uma nova página, 
e sendo assim, 
quero que seja memorável por todos os bons motivos,
 aqui vou sorrindo, 
sim!
 com aquele sorriso que é só meu e que sabe tão bem.

Sinónimos de força

Posted by António Pedro Castro | Posted on 23:05

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Sinónimos de força não são palavras,
 a força interior chega nos das mais distintas formas e é nas adversidades que ela se revela com as suas verdadeiras formas e feitios, 
quem me dera a mim que alcançar as forças fosse sempre fácil,
 está tudo na nossa cabeça na verdade.
 O amor é tramado, 
é mesmo aquele sentimento que nos enche e nos preenche e ao mesmo tempo consegue deixar  desarmados.
 Sei que nesse campo sou um tanto ou quanto fraco,
 uso e sinto muito com o coração e por vezes acabo por me magoar porque me esqueço de racionalizar.
 Nas adversidades encontra-mos forças,
 e serei eu um motivo de força?
 Eu penso que sim,
 posso não ser um ser humano perfeito, 
mas ninguém o é...
 sei que tenho muito para dar e que quando gosto, gosto mesmo muito!
 Quando gostar não chega resta me estar presente nesta ausência de sons,
 onde quero ser luz mas ninguém a parece procurar,
 onde o barco parece divagar e quero tanto que se atraque no meu porto.
 Estou aqui, 
onde sempre estive.

Estaremos a entrar no quinto Império?

Posted by António Pedro Castro | Posted on 22:14

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                 Se existe coisa que me fascina é a história, a história das coisas, dos lugares das pessoas. Portugal tem muita história que nos remete a datas longínquas e uma essencial que é a fundação do Condado Portucalense (868 - 1139)! Não podemos fugir aos factos e após a reconquista da Península Ibérica aos mouros, essa que em muito se torna fantasiada nos livros que lemos sobre o assunto esquece-se do legado histórico que deve muito à presença muçulmana e até se dar a expulsão total dos mesmos existiram trocas culturais e artísticas a vários níveis. Seja na escrita e nas palavras que ficaram, na construção arquitectónica e na produção de objectos artísticos sem nunca esquecer o azulejo, são marcas de uma herança. Li à dias a frase que Portugal em muito vive do legado do seu passado e assim se estagnou. Acredito nisso em parte, por outro lado vejo um imenso potencial que muitas vezes é desvalorizado, em períodos de crise económica a cultura muitas vezes fica em segundo plano, e o português hoje em dia raramente visita o museu para conhecer mais... Vivemos numa era tecnológica em que o interesse pela cultura se perdeu em larga escala. Entristece-me bastante na verdade! Ao longo do meu percurso académico tenho aprendido muitas coisas sobre a nossa história e também a internacional. Por vezes ao lado dos gigantes somos um Portugal dos pequeninos que em tempos foi tão ou mais imponente que as potencias mundiais do 'hoje'! Como podemos ter perdido o rumo da história? Em tempos fomos literalmente donos de metade do mundo, é claro que isto era visto num olhar do homem do seu tempo. Mas mesmo assim tanto ficou aquém do Portugal batalhador, destemido que mapeou rotas pelo mundo, criou trocas culturais únicas que nos meteram no mapa. Hoje em dia, se perguntarmos a um estrangeiro onde fica Portugal, muitos pensam que somos Espanha e ponto final. Não duvido das capacidades do povo, mas quando olho para as novas gerações fico reticente sobre o futuro. O que será a história do futuro? Será que o interesse pelo nosso legado artístico irá perdurar? Qual o futuro da arte? Estaremos a entrar no quinto Império?





"Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa, 
Faça até mais rubra a brasa 
Da lareira a abandonar! 


Triste de quem é feliz! 
Vive porque a vida dura. 
Nada na alma lhe diz 
Mais que a lição da raíz -- 
Ter por vida sepultura. 


Eras sobre eras se somen 
No tempo que em eras vem. 
Ser descontente é ser homem. 
Que as forças cegas se domem 
Pela visão que a alma tem! 


E assim, passados os quatro 
Tempos do ser que sonhou, 
A terra será teatro 
Do dia claro, que no atro 
Da erma noite começou. 


Grécia, Roma, Cristandade, 
Europa -- os quatro se vão 
Para onde vai toda idade. 
Quem vem viver a verdade 
Que morreu D. Sebastião?"

-in a Mensagem, Fernando Pessoa