Devaneio

Posted by xXxPePexXx | Posted on 02:08

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Porque choras meu rapaz?
Choro porque sinto esta melancolia dentro de mim
como se esperasse algo que me acordasse deste meu sono em plena luz,
não me consigo conter,
por vezes...
muitas vezes...
choro aqui no meu espaço,
sozinho...
com frio...
estou cansado de viver neste estado onde o meu felizes para sempre
está manchado numa ausencia de algo
numa esperança bordada numa teia de pequenas frases enganosas
que me mostram um caminho que nem eu sei se é o certo,
por vezes choro porque me sinto horrível,
quando me olho ao espelho ponho defeitos em tudo o que vejo
com medo de algo se passar comigo,
com medo de não me sentir bonito aos olhos do mundo,
mas quando me sento nas horas vagas da solidão
penso para mim mesmo,
o que posso fazer mais?
Curei as feridas,
cozi as ligações que destruí um dia com a mentira,
cresci... renasci das cinzas...
e agora tudo parece tão puro,
sinto uma inocência dentro de mim que preenche os meus lugares ausentes,
mas no fundo não chega
não entendo porque me sinto sozinho
porque não consigo encontrar a felicidade nas coisas,
sinto saudades de algo que não existe
nem eu sei o que é ao certo,
porque me vitimizo?
não quero mais escrever sobre tristeza,
queria sonhar com a esperança de um tesouro futuro
guardado no peito de alguém que me procura
tanto quanto eu procuro sem qualquer sucesso,
por vezes em momentos de devaneio,
um estranho cruza o nosso caminho num lugar ao acaso
e repara em algo... uma quimica,
o coração pará por instantes de toda a sua normalidade
e dispara como um alarme
libertando algo que nos faz olhar de volta... uma... duas... tantas vezes,
o impasse de conhecer o desconhecido
de trocar palavras,
tentativas de reviver algo num dia seguinte,
entretanto cada estranho segue o seu caminho
até um dia em que naquele mesmo sitio aconteça outra vez magia
e mais uma vez uma tentativa ou não falida de quebrar as barreiras
do misterioso caminho desconhecido de um simples estranho
que estranha outro mero estranho...
interesse na sua vida.

Pedra da Calçada

Posted by xXxPePexXx | Posted on 23:33

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'Sonhei a felicidade...'


Sinto me como as pedras da calçada,
sou o inimigo do eu,
sou aquele que tem a sua vida traçada
sobre um mapa negro
onde sofro sem rumo um destino perdido no fumo,
sou o sujo dos degraus
gastos pela erosão dos elementos,
sou quem canta a tristeza às paredes...
e chora, chora para a sombra,
aquele que afoga as magoas num sorriso na escuridão
que grita esperança no meio de toda a imensidão do seu medo
ainda existe, ainda vive o brilho,
o meu brilho interior,
estou tão farto de não ser compreendido,
quero sonhar o sonho de alguém,
quero ser o essencial
aquilo que um dia um comum mortal sonhou encontrar
e espera por mim num banco de jardim
entre todas as pedras da calçada
a tinta das paredes de Lisboa a estalar
o embalar das folhas ao vento... de primavera
e vou deixar de ser a pedra da calçada
vou me sentar a teu lado nesse simples banco verde
e vou tocar na tua mão com calma e nervosismo
com medo que o amor me rejeite
e irá olhar me nos olhos...
aproximar se aos poucos...
e envolver me num beijo intemporal,
o som mudo da cidade a meus ouvidos
irão apenas ouvir vezes sem conta uma sinfonia
que pertence apenas a duas pessoas apaixonadas
e poderei dizer ao mundo que a nossa primeira musica
foi o silencio...
no meio de todos os sons!


'...E não vou desistir de a sonhar,
quem quer que sejas...
estou a tua espera'

Leva me contigo... Ama-me... Faz me feliz...

Posted by xXxPePexXx | Posted on 22:58

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De volta as minhas paginas manchadas de negro,
entre todos os segredos profundos que me devoram o peito
e me levam ao sabor de uma sinfonia obscura
coberta de negro,
e vultos escondidos na sombra,
sinto me escuro,
flutuando sem sonhos por cima do meu corpo
sem vida,
não paro de me questionar vezes e vezes sem conta,
o que faço aqui?
Porque parece que tudo a minha volta caí em ruínas,
se desfaz lentamente.
Como um anjo negro que de passagem
por debaixo de um manto negro esconde todos os seus sentimentos
dentro de uma pequena caixa preta
trabalhado com minúcia por um velho artesão solitário
que inventou uma caixa de musica
onde os mais profundos dos meus sonhos se escondem,
onde me encontro sem palavras,
apenas oiço o som leve e envolvente daquela minha musica,
aquela que é só minha e de mais ninguém,
não entendo de todo o que se passa,
mas não consigo gritar,
tenho um nó na minha garganta e não consigo falar,
um peso sobre os ombros que me faz sentir o mais triste dos mortais,
repleto de culpa por todo o mal,
apenas eu consigo cair tão fundo no meu próprio abismo de lamentos e pesadelos.
Tudo foi por agua baixo assim que o sol partiu...
o sorriso...
a esperança...
sou tão estúpido...
irá chover durante os próximos dias...
chuva...
odeio este tempo,
quando me sinto obrigado a ficar parado,
fechado em casa sem vontade de sorrir,
se ao menos tivesse um sonho que me abraça
e me faz sentir amado e confortado
e juntos ver o sol brilhar depois de um dia de chuva
ver as pequenas gotas desaparecerem,
tal como as minhas lágrimas sem sentido...
Lembro me de dizer que não precisava de amor,
como se pudesse mentir a mim mesmo,
fingi ser o mais forte,
dancei com o diabo...
de mãos dadas a quem me queria arranhar a carne e deixar me sozinho
lívido, humilhado, desamparado, sem vida...
Conseguiram por pouco,
mas ergui a cabeça e continuei
mesmo quando não existiam mais vozes a minha volta,
tudo por minha culpa
e mesmo assim eu falava comigo,
promessas ao vento... de esperança... de amor...
Então agora vejo que estava errado...
tão errado,
eu preciso do amor
não sou diferente dos outros,
apenas menti vezes sem conta a mim mesmo
e agora tudo caiu,
não existem mais mascaras não existe mais mentira,
resta apenas a dor e o nada,
a culpa...
E todos os meus sonhos guardados sem sentido dentro de uma caixa
e deixo me viver dominado pelos meus medos e receios?
Não... não...
Chega de me sentir menos pessoa,
chega de me arrastar pelos dias como se a vida me passasse ao lado,
chega de fechar os olhos,
apenas vou voltar a fechar os meus olhos uma única vez e desejar...
um dia aprender a sentir,
o tal sentimento puro e complexo,
as mãos de um ser que me queira entender,
que tenha a coragem de arriscar algo...
por alguém que tanto tem a dar,
mas nunca deu asas ao que sente para arriscar...
Se me encontrares... Leva me contigo...
Ama-me...
...Faz me Feliz!