Estaremos a entrar no quinto Império?

Posted by António Pedro Castro | Posted on 22:14

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                 Se existe coisa que me fascina é a história, a história das coisas, dos lugares das pessoas. Portugal tem muita história que nos remete a datas longínquas e uma essencial que é a fundação do Condado Portucalense (868 - 1139)! Não podemos fugir aos factos e após a reconquista da Península Ibérica aos mouros, essa que em muito se torna fantasiada nos livros que lemos sobre o assunto esquece-se do legado histórico que deve muito à presença muçulmana e até se dar a expulsão total dos mesmos existiram trocas culturais e artísticas a vários níveis. Seja na escrita e nas palavras que ficaram, na construção arquitectónica e na produção de objectos artísticos sem nunca esquecer o azulejo, são marcas de uma herança. Li à dias a frase que Portugal em muito vive do legado do seu passado e assim se estagnou. Acredito nisso em parte, por outro lado vejo um imenso potencial que muitas vezes é desvalorizado, em períodos de crise económica a cultura muitas vezes fica em segundo plano, e o português hoje em dia raramente visita o museu para conhecer mais... Vivemos numa era tecnológica em que o interesse pela cultura se perdeu em larga escala. Entristece-me bastante na verdade! Ao longo do meu percurso académico tenho aprendido muitas coisas sobre a nossa história e também a internacional. Por vezes ao lado dos gigantes somos um Portugal dos pequeninos que em tempos foi tão ou mais imponente que as potencias mundiais do 'hoje'! Como podemos ter perdido o rumo da história? Em tempos fomos literalmente donos de metade do mundo, é claro que isto era visto num olhar do homem do seu tempo. Mas mesmo assim tanto ficou aquém do Portugal batalhador, destemido que mapeou rotas pelo mundo, criou trocas culturais únicas que nos meteram no mapa. Hoje em dia, se perguntarmos a um estrangeiro onde fica Portugal, muitos pensam que somos Espanha e ponto final. Não duvido das capacidades do povo, mas quando olho para as novas gerações fico reticente sobre o futuro. O que será a história do futuro? Será que o interesse pelo nosso legado artístico irá perdurar? Qual o futuro da arte? Estaremos a entrar no quinto Império?





"Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa, 
Faça até mais rubra a brasa 
Da lareira a abandonar! 


Triste de quem é feliz! 
Vive porque a vida dura. 
Nada na alma lhe diz 
Mais que a lição da raíz -- 
Ter por vida sepultura. 


Eras sobre eras se somen 
No tempo que em eras vem. 
Ser descontente é ser homem. 
Que as forças cegas se domem 
Pela visão que a alma tem! 


E assim, passados os quatro 
Tempos do ser que sonhou, 
A terra será teatro 
Do dia claro, que no atro 
Da erma noite começou. 


Grécia, Roma, Cristandade, 
Europa -- os quatro se vão 
Para onde vai toda idade. 
Quem vem viver a verdade 
Que morreu D. Sebastião?"

-in a Mensagem, Fernando Pessoa