Tiro no escuro

Posted by António Pedro Castro | Posted on 22:32

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Nem sempre é possível exprimir aquela sensação que sentimos quando temos que arriscar e fazer algo novo, 
algo por nós, 
aquelas pequenas coisas que precisamos fechar os olhos e simplesmente seguir em frente sem medos. É como um tiro no escuro.

Ontem enquanto arrumava algumas gavetas, 
encontrei algumas coisas que remetiam ao passado, 
um passado não muito distante. 
Uma das coisas foi uma carta que havia escrito para alguém que já não faz parte da minha vida, 
uma carta que na verdade nunca saiu desta gaveta nem chegou ao destinatário, 
deitei-me na cama enquanto lia essa mesma carta,
não me recordava o que tinha escrito, 
e lentamente fui entendendo que aquele era um tiro no escuro que nunca saiu do gatilho. 

Talvez tenha sido por bem, 
nessa carta expunha o meu coração de forma desmedida, 
como sempre o fiz quando certa ou erradamente decido arriscar e pôr os meus sentimentos à flor da pele.
 talvez seja um defeito meu, 
sentir sem medir, 
ou simplesmente ainda acreditar que é possível.

 Pensei duas vezes antes de fechar a carta e deparei-me com a dualidade de rasgar essa mesma carta, 
ou guardar para o futuro. 
Decidi guardar no mesmo local, 
afinal de contas contém algum tipo de significado numa determinada altura para mim.
 Ao ler aquela carta que desbrava alguns temas que me consomem entendi o quão frágil estava,
 ou talvez ainda esteja, 
no sentido em que talvez não consiga proteger tão bem os meus sentimentos para não me magoar de certa e determinada maneira. 

Toda essa situação me fez pensar nessa temática do tiro no escuro,
 cresci com o passar dos anos,
 mas nunca perdi esta minha essência ou defeito de ser sonhador,
 de querer mais e acreditar que existe possibilidade de partilhar a minha felicidade ao lado de alguém.
 Sinto me um pouco injustiçado por de certa forma não conseguir ser um rapaz como os outros,
 ter que ter um número de preocupações pessoais que de certa forma guiam um pouco a maneira como tenho que guiar e lidar com a minha vida. 

Mas a verdade é que tenho que lidar com tudo isto mas continuo a desejar que no meio desta solidão que por vezes sinto, 
alguém consiga olhar mais além e consiga dar um tiro no escuro,
 caminhando a meu lado em busca de algo melhor, 
algo que faça valer a pena. 

"I'm here"

Vai com cuidado...

Posted by António Pedro Castro | Posted on 01:04

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Vai com cuidado com intenções... 
Não me tomes como mais um desalento,
 não sou essa pessoa.
 Apenas peço que escutes com todas forças aquilo que saí do meu peito,
 aquilo que sinto não tem malícia, 
aquilo que sinto é do mais puro que posso exprimir, 
sim tenho medo,
sempre o tive,
 quem nunca caiu na fossa pode ser aquele que pode dizer que é fácil. 

Eu sei que nada é fácil nesta vida, 
muito menos no que toca a um relacionamento. 
Mas como é possível negar aquilo que sinto dentro de mim, 
será que devia medir aquilo que dou?
 Será que deveria conter os sentimentos e fechar-me um pouco mais dentro de mim?
 Talvez... Mas não consigo, juro que é mais forte que eu, 
e por mais fraco que possa parecer ao escrever estas palavras, 
quando existe entrega, essa entrega não deve ser medida. 
Já tive experiências, já senti que gostei em vão, mas isso não é o caso.
 Não dá mais, preciso de estabilidade, preciso criar algo para mim, 
algo que para além do que tenho feito por mim, possa partilhar com alguém. 

Quantos de nós já nos apaixonamos e sentimos medo? 
Provavelmente todos nós, eu acho que esse medo é uma defesa natural, 
é complicado voltar a acreditar depois de nos terem puxado o tapete por debaixo dos pés.

 É interessante, senti que cresci tanto nos últimos anos, 
aprendi a gostar de mim como pensei que nunca iria acontecer, 
aprendi a estar bem, mesmo quando estou sozinho. 
Alcancei metas na minha vida, que me fizeram sentir grato, grato por mim mesmo, 
por ter alcançado essas coisas com o meu esforço e dedicação. 

E mesmo depois de tudo, o chegar a casa e sentir a porta fechar envolve-me em todo um tanto de preocupações com as quais tenho que lidar,
 acho que não sou um exemplo de normalidade, 
toda a minha vida tem sido um misto de etapas envolvidas em preocupações, 
com medos de solidão, com medo de não estar lá. 
E vamos falar as coisas sem grandes rodeios, porque como o blog indica, estes são os meus desalentos, os meus dilemas mentais, nos quais encontro alguma paz, 
mesmo que as lágrimas me escorram pelo rosto é do mais puro e sincero.

 É difícil sabem?
 É difícil ter perdido tanta gente na minha vida, não falo de desilusões amorosas, mas sim no que toca a família. 
Não é normal ter que lidar com a perda desde tão cedo, 
não é fácil lidar com tantas maleitas que assombram uma família. 
Mesmo depois de perder o próprio pai, 
sentir que a minha mãe um dia vai ficar totalmente dependente de alguém...
Quem sou eu para negar apoio quando amo tanto?
 Quando sinto que lentamente as pessoas apenas vão desaparecendo e eu vou ficando, 
no meio das minhas vitórias, são tantas as derrotas.
 É por isso que valorizo tanto as pequenas coisas, 
é por isso que no meio de um abraço fecho os olhos, 
por saber que tudo é tão efémero e não valorizamos aquilo que temos ao nosso lado, 
aprendi isso da pior forma possível.

Claro que todos estes dilemas me afectaram, claro que não sou uma pessoa 'normal'. 
Claro que tudo isto me devorou um pouco por dentro, 
fiquei com o pequeno grande defeito de me apegar com facilidade às pessoas,
 continuo a acreditar que existe bondade, 
que existem conexões sinceras e as pessoas que me conquistam o coração sabem que conseguem ter tudo o que estiver ao meu alcance para as fazer sentir bem,
 não sei gostar de maneira diferente.

E se pudessem neste momento ouvir o meu peito enquanto escrevo sentiriam que neste momento, o meu coração está aberto, 
este meu coração magoado mas que procura um pouco de brilho em todas as coisas que ainda me fazem acreditar.

Por isso te digo vai com cuidado, 
não me enganes,
 não me tomes por mais um tolo,
 porque para mim é mais do que um número, 
é um esforço por um...
 felizes para sempre

"Hoje, agora e sempre"

Posted by António Pedro Castro | Posted on 00:15

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Nada acontece por acaso, 

como humanos todos estamos ligados a algo que nos move, 
algo para além da nossa força física, 
algo que alimenta algo muito mais substancial, 
confesso que por vezes não é fácil saber lidar com sentimentos, 
na verdade todos temos receios, 
especialmente de lidar com sentimentos que envolvem o coração.
Estou aqui deserto sentado na minha solidão de pensamentos
 aqui nesta varanda, na escuridão e no calor de uma noite de verão 
tento deslindar tudo aquilo que se passa dentro da minha cabeça, 
aquilo que guardo dentro do meu peito...
Sinto-me uma criança novamente, 
cheio de sentimentos dentro de mim,
 não sei bem o que se passa, 
com o passar dos anos aprendemos a mascarar as coisas que um dia nos fizeram sofrer..
Mas talvez não seja correto chamar isso de 'coisas' mas sim, pessoas. 
Mas não posso negar, o quão bom é sentir aquele frio na barriga quando tudo volta acontecer, 
e é sempre tão diferente... 
com o passar dos anos tenho aprendido muita coisa no que toca ao que significa gostar de alguém. 
Aprendi a medir aquilo que sinto, 
aprendi aquilo que gosto, 
o que não gosto,
 tentei ganhar controlo de todas essas coisas,
 tento acreditar que consegui fazê-lo,
 que consegui domar esse dilema constante da vida, 
mas a verdade é que não consigo. 
Não num sentindo negativo, mas nem tudo na vida pode ser racional e a meu ver o amor é algo que não podemos domar ou controlar.
E é impossível não acreditar que é possível quando relembro no meu pensamento aquele sorriso, 
aquele sentimento de ter nos meus braços um ser humano que naquele instante confiou que a minha presença no espaço confinado daquelas quatro paredes não lhe iria magoar,
 e então nesse puro momento o mundo mudou
sentir que a pouco esse ser deixou que para além de uma confiança extrema, deixou que as forças no seu corpo cedessem, e naquele momento foi meu, frágil, vulnerável, naquele momento o mundo não era igual, naquele momento, no calor do meu abraço, o mundo era nosso apenas, sem tempo, sem factores externos, e assim selei o pacto, com um beijo na testa, como promessa de proteger e amar aquela pessoa que aos poucos está a mudar o meu mundo. 

Existem pessoas que são luz na nossa vida,
e são essas pessoas que devemos agarrar, 
eu sei que tu neste momento és luz na minha vida, 
e apesar das adversidades, dos dilemas e obstáculos e tudo mais que está para vir,
 não posso deixar partir, nunca me iria perdoar de não ter tentado,
 pois sei que se fechar os olhos consigo imaginar-te a meu lado,
 para além do agora, consigo imaginar um futuro, e isso é mágico.
 Sei lá, é algo do momento por agora,
mas é um sentimento cheio que me enche e me preenche,
 que me deixa com um sorriso na cara e me faz parecer como se estivesse a apaixonar-me pela primeira vez.

 E aqui sentado nesta varanda de coração cheio, não posso deixar de contemplar as estrelas e pensar que as pessoas são como estrelas e cometas na nossa vida, 
existem pessoas cometas que entram na tua vida e te enchem de luz, 
são aquelas pessoas que te cativam, 
que sabes que na presença delas te vais divertir, 
contudo essas pessoas acabam por passar, e são meras réstia de luz. 
Contudo existem pessoas estrelas,
essas pessoas que estão lá, perto ou longe, e que o brilho dessas pessoas te aquecem o coração e te fazem sentir que vale a pena, vale sempre a pena.

Seja num adeus intermitente, 
seja nos meus braços, 
ou a quilómetros de distancia, 
quero ser o ponto de partida, quero ser o ponto de chegada,
 o ponto de chegada para um futuro por desvendar,
uma vida, um período, qualquer que seja o desfecho escolho caminhar a teu lado e ver qual será o próximo passo, 
quero que o futuro seja brilhante, 
e ainda mais brilhante por estares ao meu lado

e por me fazeres sentir assim, obrigado, guardo-te sempre, na memoria dos sentidos, hoje, agora e sempre.