Perdido...

Posted by António Pedro Castro | Posted on 22:10

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Por vezes sinto me fechado dentro de uma caixa,
  ninguém me meteu lá dentro, 
eu próprio aqui entrei, sinto me seguro aqui dentro,
 tão farto de tudo, tão farto de sofrer,
 é nesta caixa que navego perdido nos meus pensamentos,
 neste meu mar de lágrimas que embala todas as marcas que carrego dentro do meu peito,
 e pode ser que um dia andando eu à deriva nesta minha confusão encontre o caminho desejado.
 É nesta caixa que fico mais alerta sobre tudo o que se passa à minha volta,
 é nesta pequena caixa que descobri quem estava lá verdadeiramente para mim,
 talvez seja hoje em dia um pouco mais solitário,
 mas não é simplesmente porque quero,
 não consigo mais suportar falsidade,
 tenho medo da desilusão...
 e eu bem tento arriscar mas maioritariamente provam me sempre que estava certo sem ter que o perguntar, 
essas pessoas são o vento que embala a minha caixa à deriva,
 são pessoas que passam e deixam de lá estar da mesma maneira que entraram,
tomam diversas formas...
 ora procuram aconchego, ora os prazeres da carne,
 estes normalmente disfarçados de algo que chamam paixão...
 Paixão, esse sentimento adormecido dentro de mim,
 ainda aguardo o meu momento, afinal de contas não deixei de acreditar...
 Ou será estranho ainda acreditar que o universo terá algo de bom guardado para mim?
 Apenas por vezes sinto que o tempo está a passar tão rápido, e eu fico perdido nesta confusão de sensações,
 neste meu mar de sentimentos em que me isolo do mundo...
 Quando estou dentro da minha caixa estou no meu próprio mundo de sonhos,
 protegido, seguro...
 Nesta minha caixa posso chorar sem ter medo de parecer fraco,
 aqui posso sentar me no chão e perder as forças..
. Estou cansado apenas,
 cansado de ser forte todos os dias da minha vida e não puder ter um porto de abrigo para me sentir frágil, 
uma fragilidade segura, fragilidade de menino sonhador que sou e que me tentam fazer renegar...
 Continuarei a navegar neste meu mar, 
dentro desta caixa,
 perdido no escuro, 
na esperança de atracar no teu cais de luz.

Sonho ou Pesadelo?

Posted by António Pedro Castro | Posted on 16:41

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Lentamente fui acordando,
 contorci me na cama ainda com os olhos cerrados,
 ouvi uma melodia doce que me embalava os sentidos,
 abri os olhos lentamente e tudo o que vi era branco,
 uma imensidão de branco,
 ali estava eu estagnado naquele lugar... 
Sonho? Pesadelo? 
Não sei bem explicar,
 levantei me da cama e caminhei no vazio,
 segui a doce melodia que vinha de longe,
 talvez essa fosse a solução para responder ao motivo de me encontrar neste sitio,
  conforme caminhava descalço por esta imensidão de branco as músicas iam alternando,
 ora doces melodias que me faziam sorrir,
 ora tristes chorar de violinos acompanhados por piano que me gelavam o peito e me faziam sentir ainda mais perdido como se o ar me sufocasse... gelando todo o sangue nas minhas veias,
 não entendo este sitio...
 Qual é o significado de tudo isto?
 Comecei a correr enquanto as lágrimas me escorriam pela face
 e gelavam ao deslizar pelas  maças do meu rosto,
 neste momento já não sei de onde vim,
 não vejo o ponto de partida nem o final...
 apenas branco e mais branco até perder de vista,
 e esta melodia triste que parece não ter fim...
 Dei um grito mudo de desespero e a melodia cessou,
 logo em seguida outra nova melodia começou a tocar,
 esta mais doce como uma pequena caixa de música a tocar,
voltei a caminhar desta vez carregando uma nova determinação de alcançar a fonte deste sonho ou pesadelo que não entendo,
 foi então que corri sem ter medo,
 corri em direção ao som,
 determinado sonhador com vontade de alcançar o seu objetivo,
 foi então que ao longe vi algo,
 e sem medo fui ao encontro desse algo que ainda não entendia,
 ao aproximar me fui delineando o que ali estava à minha frente
 uma pequena caixa...
 uma caixa que pulsava todas estas melodias,
 caí sobre os meus joelhos em frente a essa caixa.
Lentamente abri a com medo...
 Lá dentro?
 Um coração que batia...
 Um coração magoado mas que continuava a lutar pela vida...
 'Não pode ser', pensei para mim mesmo...
 Coloquei a mão no peito e senti um vazio,
 é isso...
 É o meu coração que tenho na mão...
 Isto não é um pesadelo ou um sonho...
 É  uma mensagem...
 uma mensagem de esperança...
 tudo faz sentido agora...
 Por vezes é necessário pararmos para pensarmos um pouco naquilo que queremos,
 naquilo que fazemos, e no que podemos melhorar...
 por mais triste que seja a melodia que te faz caminhar para os teus objetivos não desistas de tentar,
 afinal de contas nenhuma melodia existe por si só,
 tudo muda se assim o ambicionares,
 é preciso não deixar de sonhar, de acreditar que o melhor vai chegar,
 está prometido para todos a felicidade...
 apenas temos que descobrir o significado de felicidade para cada um de nós.
Cabe te a ti transformar o teu pesadelo no mais belo sonho...
Agora sonha, boa noite!

Ecos

Posted by xXxPePexXx | Posted on 17:42

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São como ecos do mundo,
 esses ecos que  te rodeiam e consomem lentamente sem saberes,
 quantas vezes és tu livremente aquilo que sentes que és,
 quantas vez és a voz de alguém que te corrige,
 vivemos num mundo cheio de vozes,
 cheio de ecos,
 ecos de influência ligados ao passado, ao presente... e ao futuro.
Quem és tu pergunto? 
Não passas de um eco?
ou sentes vontade de gritar o que está aí dentro guardado no teu peito?
  Desperta essa revolta interior,
 experimenta fechar os ouvidos às vozes do mundo...
 às pessoas, à TV... 
à Internet, à rádio...
 Agora escuta o silencio,
 ouve o teu corpo, 
deixa te embalar na melodia dos sentidos que só tu podes ouvir,
 sente o poder do teu pensamento livre de influências...
 Está na hora de deixares de ser um eco,
 está na hora de seres uma voz!

Não entendo...

Posted by xXxPePexXx | Posted on 23:31

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E é aqui neste silencio que tão bem conheço que me cerco de novo destes medos que me atormentam,
 por vezes pergunto me porque é tão difícil sermos felizes?
 Sei ser feliz à minha maneira,
 tive que aprender a fazê-lo...
 E custou,
 levou tempo...
 e existem marcas que não vão mais sarar,
  são lembranças que apesar de não estarem marcadas no corpo,
 estão marcadas na alma...
 é difícil ter um espírito sonhador num mundo dominado por banalidades,
 dominado pelo que é mais fácil,
 não importa o sentimento,
 apenas o passar,
 um passar do tempo que nem deles é,
 nem tempo chega a ser,
 é uma passagem por entre os intervalos de tempo em que não há nada para fazer...
 E depois cá ficam os que sonham com algo mais,
 talvez cliché para muitos,
 mas tudo isto cansa,
 cansa viver neste mundo onde parece que ninguém me entende,
 vou passando pela vida vivendo e aproveitando os momentos,
 mas falta sempre algo,
 esse algo que está sempre num vazio constante,
 espera algo que lhe complete aquele pedaço adormecido à espera de ser despertado,
  são meros desabafos de poeta sem caneta,
  sou talvez um poeta dos sentidos (?)
 mas estou cansado de não ser compreendido,
 de não encontrar o pedaço que falta,
 e não consigo evitar por vezes que as lágrimas me escorram pelo rosto quando todas as vozes se calam e o que resta é o medo,
 o medo do vazio.
 Gosto de ser luz na vida dos outros,
 e encontrei pessoas que emanam luz e que sei que estão lá para mim,
 são poucas... e apesar de muitas estarem menos presentes... estão lá,
 mas penso que falta o outro pilar do meu ser,
 tal como uma construção em que a sua base está desnivelada,
 o peso caí em cima dos meus ombros e nesta analogia dos sentimentos o que falta é estabilidade,
 alguém que acalme o turbilhão que sinto dentro de mim,
 que me ensine a não ter medo de saltar,
 que me mostre luz e me apoie a superar esta lacuna dentro do meu ser,
 por vezes sinto me parvo,
 a divagar nestas 'coisas' talvez sem sentido,
  coisas que não falo e que guardo para mim,
 são pedacinhos de mim,
 pequenos nós por desfazer,
 e que apesar de aparentemente não os demonstrar eles estão lá,
 na esperança que alguém me dê a mão e ajude a ir mais além,
 não culpo os demais que tentam chegar até mim e que se deslargam ou simplesmente idealizam algo em mim que não posso ser para eles,
 eu entendo os,
 porque por vezes nem eu me entendo,
 não entendo porque tudo se mantém assim,
 não entendo porque não chegas,
 não entendo,
 vou fingindo que entendo,
 até me fazeres entender...